sexta-feira, 5 de outubro de 2012

Saúde do bailarino(a) 3

Unhas encravadas: O que fazer?




Tem muita gente que sempre ouve falar de unhas encravadas, mas nem sabem o que são. E muita gente que pode até sofrer com elas e mesmo assim não sabe o que é. A unha está encravada quando parte dela empurra o canto do dedo do pé. Este dedo torna-se sensível ao tato, vermelho e inchado. Coloque o pé de molho durante 20 minutos duas vezes ao dia em água morna com um pouco de sabão bactericida. Enquanto o pé estiver de molho faça uma massagem sobre a parte inflamada da cutícula. Outro cuidado a ser tomado: use uma pomada antibiótica, aplicando-a cinco ou seis vezes ao dia. Corte o canto da unha. A dor é causada pela fricção da unha contra a cutícula exposta. Você pode ir em um médico pedólogo que se encarregará de cortar este canto. Será preciso fazer isso apenas uma vez para facilitar o crescimento da unha sobre a cutícula, ao invés de crescer enterrada nela.

Tente não usar sapatos fechados, calçando sandálias ou mesmo ficando descalço o máximo possível para evitar a pressão sobre a unha. Quando não tiver jeito, proteja a unha encravada da seguinte maneira:

  • Se o lado interno estiver machucado, coloque uma esponjinha (ou gaze, ou algodão)  presa com fita adesiva entre os dedos a fim de evitar que fiquem se tocando.
  • Se o lado machucado for o externo (isso só acontece no caso da unha encravada ser a do dedão ou a do mindinho), coloque uma esponjinha (ou gaze, ou algodão) com fita adesiva na parte externa do dedão para evitar que a unha fique tocando a parede do sapato.
Essas medidas também podem ser tomadas durante a aula de ballet. Para prevenir essas indesejáveis, corte MUITO BEM as unhas, deixando-as retas e evitando os cantos. Procure ajuda médica imediatamente se observar estrias avermelhadas que se estendem além do dedo, se o pus ou a secreção amarelada não sair em 48 horas de tratamento, se a cutícula não sarar completamente após 2 semanas ou se tiver outras perguntas e preocupações.

Bolhas

As bolhas ocorrem quando a pele é friccionada para frente e para trás de encontro ao interior da sapatilha.

A maioria das bolhas causadas pelo trabalho de ponta estoura e há às vezes sangramento. Uma vez que a pele crua é exposta, a dor de dançar com uma bolha aberta é enorme. É melhor parar de dançar e tender à bolha do que arriscar-se à piora e à infecção da área. Se algum pedaço de pele morta remanescer na bolha aberta, corte-o fora com tesoura esterilizada. Cubra a bolha com Merthiolate ou água oxigenada. Exponha a bolha ao ar fresco sempre que possível. Se você tiver que dançar em sapatilhas de ponta outra vez antes de que a bolha esteja curada, faça o seguinte: corte um pedaço de uma borrachinha ou um plástico (para isolar a área ao redor da bolha) e faça um furo no meio deste - um pouco maior do que o tamanho da bolha. Coloque-o em torno da bolha e fixe com fita adesiva ou esparadrapo. Se necessário, use duas camadas da borrachinha. Dá também para usar gaze.

Se um dedo do pé começar a criar bolhas insistentemente, é aconselhável envolvê-lo com band-aid ou esparadrapo antes de cada aula. Isto deve impedir que uma nova bolha se forme.

Calos e endurecimento da pele

Sabe quando a pele fica um pouquinho dura e mais consistente? Isso ocorre geralmente nas juntas dos dedos do pé e no tendão de Aquiles, onde o pé é mais intensamente friccionado pela sapatilha. A pele nestas áreas pode avermelhar e amaciar imediatamente depois do trabalho de pontas, mas endurecer-se-á mais tarde. Não se preocupe com esse endurecimento: ele é até mesmo benéfico para prevenir a formação de novas bolhas.

Já os calos são o resultado da pressão anormal das sapatilhas mal ajustadas e podem ser muito dolorosos.

Os calos duros, no alto dos dedos do pé, podem responder às medicações comerciais ou podem necessitar dos cuidados de um médico. Os calos macios, que se formam entre os dedos do pé, podem ser tratados somente pela separação dos dedos com algodão ou gaze.

Joanete

Joanete é a inflamação da articulação do dedão do pé causada pela pressão imprópria nessa área.

Deve-se tomar cuidado em ver se as sapatilhas de ponta (e até os sapatos normais) são largas o bastante na parte da caixa, onde estão as junções do metatarso, e se o pé está colocado corretamente na ponta (os dedos do pé devem formar uma perpendicular com o assoalho). Para ajudar a aliviar a dor, um espaçador de dedos pode ser colocado entre o dedão e o "indicador". Isto posiciona corretamente o dedão e impede-o que seja esmagado pelos outros dedos em um ângulo. Um espaçador de dedos pode ser feito de uma tira de uma polegada (2,5 cm) de papel toalha. Ela deve ser dobrada em um retângulo pequeno e prendida entre os dedos do pé com fita adesiva ou esparadrapo.




Fonte: Studio Corpo e Dança

quinta-feira, 4 de outubro de 2012

Saúde do bailarino(a) 2

TendiniteUm pequeno esclarecimento: as mãos, os pés, o pescoço e todas as partes que se dobram, ou seja, praticamente o corpo inteiro está repleto de tendões. Mas, afinal, o que é a tendinite? As palavras terminadas com o sufixo 'ite' indicam um processo inflamatório. Tendinite é, assim, a inflamação que acontece nos tendões.

Essa inflamação pode ter duas causas:



A primeira são esforços prolongados e repetitivos, além de sobrecarga. Essa primeira causa é bem freqüente nas tendinites do ballet...
A segunda causa é a desidratação: quando os músculos e tendões não estão suficientemente drenados devido à uma alimentação incorreta e toxinas no organismo, pode ocorrer uma tendinite. A tendinite se manifesta inicialmente com dores e muitas vezes com a incapacidade da pessoa em realizar certos movimentos. A pessoa pode sentir dores ao subir ou descer escadas, caminhar, dobrar os joelhos, entre outras posturas ou movimentos. Inicialmente, a tendinite pode ser confundida com artrite reumatóide. Portanto, há a necessidade de um bom médico para diagnosticar corretamente o problema. Dependendo da natureza e do grau de severidade da lesão, as formas de tratamento vão desde a indicação de antiinflamatórios até a imobilização do membro afetado (por exemplo, tala ou engessamento).
Em primeiro lugar, porém, é preciso repouso. Após um certo período, a pessoa é aconselhada a fazer fisioterapia, para acelerar o processo de cura. Uma das técnicas indicadas para a tendinite é a crioterapia, aplicação de bandagens a temperaturas muito baixas ou bolsas de gelo.

Massagens também são indicadas como auxiliares no tratamento. A aplicação local de corticóides é apenas indicada dos casos mais graves. No caso de tendinite de origem química, os médicos indicam uma dieta alimentar especial, para prevenir a desidratação que pode resultar na pouca ou nenhuma lubrificação dos tendões e conseqüente no agravamento da doença. Essa dieta exige a retirada de alimentos ácidos e graxos, incluindo-se a manteiga e o chocolate e as frutas ácidas. Se a tendinite não for tratada em tempo ou da maneira adequada, ou mesmo se a fisioterapia não for feita durante o período necessário, pode haver seqüelas. A pessoa não tratada pode sofrer uma ruptura do tendão após um período de inflamação mal cuidado. Pode continuar com as dores e se tornar incapaz para o trabalho.

Por isso, é importante seguir todos os passos indicados pelo médico para um pronto restabelecimento. Para prevenir a tendinite, não se deve expor-se a grandes períodos ininterruptos de exercício.

Uma parada, uma pausa por alguns minutos pode significar um ganho em termos de continuidade em médio e longo prazo. Outra coisa para prevenir a tendinite é ter uma alimentação balanceada, evitando a tendinite química.

Por último, vale lembrar que os casos mal curados podem acabar necessitando de cirurgia.
Vale a pena, portanto, se preocupar com a prevenção, onde os gastos e o desgaste emocional são muito menores.


Retração muscular

É o encurtamento do tecido muscular, restringindo a mobilidade e flexibilidade normais desse músculo.

Causas: O uso da musculatura sem trabalho de alongamento da mesma após o término da atividade física.

Tratamento: Exercícios de alongamento antes e após a aula de ballet.



Síndrome Patelo-femoral



É uma condição degenerativa que resulta no amolecimento da superfície articular da rótula. De causa desconhecida, aparece principalmente nas mulheres jovens e suas conseqüências podem perdurar até a vida adulta.

Caracteriza-se principalmente por dor nas flexões demoradas e nas extensões, quando a estrutura articular amolecida pode se precipitar dentro da articulação, gerando ruídos durante o movimento, limitando a articulação do joelho e provocando o aparecimento de sinais gerais de inflamação. Qualquer aluno ou profissional de dança que apresente tais sintomas deve ser encaminhado ao ortopedista, pois a síndrome patelo-femoral ou condromalácia pode evoluir para a sub-luxação patelar e até para a artrose, e ser responsável pelo afastamento definitivo da vida profissional se não for adequadamente tratado.



Fonte: Studio Corpo e Dança

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

Saúde do bailarino(a)

Um bailarino precisa saber como lidar com seu instrumento de trabalho, o corpo. Se não souber, pode enfrentar sérias complicações.

  • Para evitar aquelas dores chatas nos músculos depois da aula, sempre se aqueça o máximo possível antes desta. Mas atenção! Não pense em alongar-se bastante! Nunca extrapole seus limites, pois a aula ainda vai começar, ou seja, você tem muito o que se alongar ainda...  Senão, isso poderá resultar em muita dor de cabeça (e de músculos) depois.
  • Após as aulas, se você sentir dores na parte em que se alongou bastante,
    como coxa, virilha, panturrilha, compressas de gelo vão bem.
  •  Se você for tomar banho após a aula, procure tomar banhos quentes, pois seu corpo
    ainda está morno pelo exercício, e banhos frios podem resultar em choques térmicos.
  • Após exercícios de alongamento, relaxe os músculos, massageando-os ou chutando as pernas para a frente.
    Assim o músculo não fica muito "tenso", e nem fica aquela "coisa dura" quando você anda.
  •  Em casa, se você ainda sente dor em alguma parte de seu corpo, passe pomadas que aliviam a dor, como CATAFLAN EMUGEL®, CALMINEX® e GELOL® . Elas promovem resultados rápidos.
  • Atenção! Se nenhum desses itens ajudar para melhorar alguma dor que você esteja sentindo, procure um médico imediatamente. Pode ser um problema sério, como bursite, distensão, contratura etc.

    Cãibra
    A cãibra é uma retração involuntária e dolorosa do tecido muscular, que pode comprometer desde uma pequena parte de um músculo até um grupo muscular inteiro. Pode durar alguns segundos ou minutos.
    Causas: A causa mais comum da cãibra nos bailarinos é a fadiga muscular, mas também pode ter outras origens como o frio e a falta de potássio no organismo, que também é apontada como agente importante.


    Tratamento:
    O alongamento do músculo ou músculos comprometidos.
    Fontes de Potássio: Água de coco, fígado, laranja, banana, feijão, carne.


    Distensão muscular


    É a ruptura espontânea de várias fibras musculares causada por esforço, com dor súbita e forte durante o movimento e que, às vezes, impossibilita que o músculo afetado se movimente. A dor desaparece com o repouso, mas reaparece com o movimento. Às vezes, pode caracterizar-se pela presença de manchas vermelhas ou escuras sobre o local comprometido, devido ao sangue liberado pelos vasos sangüíneos na ruptura muscular.

    Causas:
    Passos ou exercícios de difícil execução, bruscos ou pesados, feitos sem o devido aquecimento prévio, são a principal causa da distensão. Os músculos mais freqüentemente afetados são os internos da coxa e os da panturrilha.


    Tratamento: Primeiramente, parar com a atividade física imediatamente. Depois, procurar um médico ou fisioterapeuta.

    Você pode até aplicar gelo ao redor ou sobre a parte afetada durante 20 ou 30 minutos, fazendo uma leve compressão e com intervalos de pelos menos uma hora (isso enquanto houver aumento de volume no local, o que acontece nas primeiras 48 a 72 horas). Após o terceiro dia, deve-se aplicar calor úmido em torno ou sobre a parte lesada. Isso estimulará a circulação, o que eliminará os produtos nocivos do metabolismo celular, acelerando o processo de cicatrização. Após o terceiro dia, também pode ser usado o contraste calor-frio, ou seja, 5 minutos de calor para 4 minutos de gelo. Esse tempo vai sendo reduzido gradativamente até um minuto de calor.

    Após o desaparecimento da dor aguda, o retorno do bailarino à atividade deve ser feito com aplicação de calor local durante 10 a 15 minutos antes da aula e aplicação de compressas de gelo também durante 10 a 15 minutos depois da aula. Isso evitará que o edema se instale. Exercícios de alongamento e fortalecimento muscular devem ser feitos a fim de que a musculatura atrofiada pelo desuso seja novamente preparada para o retorno às atividades normais. Se durante a atividade o local lesado se mostrar mais doloroso do que antes de iniciá-la, pare, aplique gelo e procure o seu médico
    ou fisioterapeuta.


    Entorse


    Ocorre quando o limite fisiológico de uma articulação é ultrapassado. Pode estar acompanhado de distensão, ruptura total ou parcial dos ligamentos, ou casos mais graves do arrancamento da inserção do ligamento.

    Causas: Como a maioria dos entorses na dança acontece nos joelhos e tornozelos, quase sempre as causas são o piso inadequado que prende os pés enquanto o corpo continua no movimento ou a torção dos tornozelos em exercícios na ponta ou na meia ponta.

    Tratamento: Aplicar gelo sobre a articulação afetada durante 20 a 30 minutos, elevar o ponto comprometido (se possível, acima do nível do peito) e encaminhar imediatamente ao médico.

    Fonte: Studio Corpo e Dança

domingo, 23 de setembro de 2012

Melhorando a flexibilidade da coluna

Qualquer bailarino(a) que se preze sabe como um Cambré maravilhoso faz a diferença!

Tudo bem que alguns monstrinhos(as) já nascem com uma facilidade realmente incrível para tal proeza, mas com muito esforço nós seres humanos normais (risos) também podemos melhorar a flexibilidade da nossa coluna.

Encontrei o seguinte vídeo por um acaso no youtube e faço questão de compartilhar com todos...


Alongamento para melhorar a flexibilidade da coluna, ombro e caixa toráxica de um modo geral.



Nunca descer de uma vez;
Não cruzar os pés;
Forçar o quadril para frente devagar;
Soltar a respiração, ou seja não entrar em apnéia.


Vídeo feito na academia Qualifit Campinas, com os professores Lidiane Soares e Gabriel.

quinta-feira, 20 de setembro de 2012

Dicas de alongamento e flexibilidade

Fazer alongamento pode contribuir para que o corpo fique mais saudável e também ajuda sedentários e atletas a evitarem dores muito incômodas.

Como o alongamento contribui com o corpo:

- Diminui as tensões musculares, evitando dores.

- Relaxa.

- Contribui para uma melhor coordenação, torna seus movimentos mais fáceis.

- Aumenta a flexibilidade.

- Ajuda a evitar lesões.

- Contribui para um melhor desempenho em atividades físicas intensas, como por exemplo, corrida, natação, futebol, ciclismo, entre outros.

- Ajuda a desenvolver uma maior consciência corporal.

- Melhora a circulação.

- Facilita o aquecimento, pois, eleva a temperatura do corpo.




SESSÕES DE ALONGAMENTO





* Lembre-se de ir sempre aos pouquinhos, forçando o máximo que puder. Com o tempo você vai superando seus limites e melhorando a sua flexibilidade.

 "SEM DOR, SEM GANHO!"

DICAS DE FLEXIBILIDADE:

  • Foco na respiração: Quando expiramos, o nosso corpo tende
    a relaxar. Nesse momento, podemos ganhar um pouco mais de alcance
    no movimento. Quanto maior o relaxamento, maior a flexilibilidade.
  • Mude a rotina: A falta de flexibilidade pode estar ligada à falta
    de estímulo de certos músculos e articulações. Busque continuamente
    estimular áreas que não ganham grande atenção em seu dia.
  • Alongamento: Alongue-se ao esperar o elevador, no trânsito, nos
    intervalos do trabalho, assistindo TV, etc. Em situações do
    dia-a-dia geralmente o nosso corpo fica tenso e é
    importante aproveitar essas oportunidades para pequenos alongamentos.

Várias técnicas de alongamento podem ser usadas para aumentar a flexibilidade de modo seguro e eficaz. Entre elas, está o “alongamento estático”. Você move lentamente a articulação até o máximo que conseguir (final da amplitude de movimento) e, depois, mantenha essa posição por alguns instantes, entre 5 e 60 segundos. Ao fazer esse movimento, é importante parar no ponto de desconforto moderado, ou seja, antes da dor.

Evite movimentos bruscos e súbitos para forçar a flexibilidade. Sacudir, balançar ou dar impulsos (apesar de aumentar a flexibilidade), são movimentos não recomendados, pois aumentam também o risco de lesões associadas a esse tipo de treinamento.

Os exercícios de flexibilidade devem ser feitos diariamente, até mesmo mais de uma vez por dia. Para obter melhores resultados, devemos realizar de 3 a 5 repetições de cada exercício. A regularidade é importante tanto para aumentar quanto para manter a amplitude de movimento desejada.

Ah! Lembre-se de sempre aquecer antes dos exercícios, movimentando bem a musculatura envolvida nos alongamentos.


CURIOSIDADES:


  • Atingimos o auge da flexibilidade quando criança. Depois da adolescência, a flexibilidade tende a cair. Ou seja, quanto mais velho, menor a flexibilidade.

  • É mais fácil alongar em clima quente, do que no frio. Para clima frio o ideal é ficar mais tempo alongando, fazer movimentos mais longos.

  • Nunca começar no limite máximo da extensão do movimento, ir estendendo aos poucos.
Fontes: Yoga Brasil, Escola Bolshoi

sábado, 1 de setembro de 2012

FELIZ DIA DO BAILARINO(A)!!!

Em homenagem ao nosso dia, segue abaixo um belíssimo texto que encontrei no blog Razão para Dançar.


Qual é o tamanho de sua entrega ?
Por Maria Luisa

 

"Ballet clássico. O tom que coloco em minha fala ao dizer isso é de uma força e uma paixão sem igual. Sei bem que não sou a única a pensar desta forma, que há uma legião de pessoas que sonham acordadas com o ballet. Somos varridos pela música e colocamos todo o nosso empenho para fazermos parte desse mundo.

Por quê?

Penso sobre isso há tempos e várias respostas surgiram a minha mente. A que mais me convenceu é a que segue.
As meninas são colocadas aos 7 anos - até menos - em um mundo cor de rosa de conto de fadas, de música, de um palco que parece um mundo imaginário, paralelo, um lugar onde elas podem SER PRINCESAS.

Há um longo caminho para se participar disto e estas meninas são condicionadas a não desistirem, a se sujeitarem a todos os tipos de dificuldades que cincundam o ballet clássico. Elas não conhecem outro mundo.
A bailarina é conhecida como um ser mágico, intocado, aquele da caixinha de música. Uma imagem a ser admirada, uma beleza que nunca poderá ser alcançada. Uma beleza que não pôde ser alcançada por aquelas que não suportam o peso da responsabilidade que o ballet trás e o abandonam, mantendo viva no imaginário a imagem de si mesmas como grandes bailarinas.

E foi aí que me dei conta de que uma garotinha é colocada em um mundo de tantos sonhos e de tamanha beleza que quando se depara com esta beleza, não quer presenciar nada que não seja belo. Não há porta de saída, apenas de entrada. Uma vez que o ballet entra em nossa vida, ele se impregna em nossa alma e se torna permanente. Ballet não é uma distração, e sim, parte de nossa identidade, uma vez que carrega como responsabilidade não apenas formar bailarinos, mas trazer a tona cada dia mais o ser humano em sua própria essência.

Admiro os bailarinos, pois eles têm o coração nobre, uma história de renúncia, de sacrifício, de entrega.
Quero sempre ter esta força. A força de dizer não para todas as outras coisas e renunciá-las em nome do ballet clássico. Assim foi feito por Nureyev e Pavlova, que entregaram a última gota da própria existência em nome da arte e de sua eternização.


PS: Rudolf Nureyev faleceu em 1993 de complicações da Aids, sendo que  depositou toda sua paixão arrebatadora para dirigir uma produção de La Bayadere para o Ballet Opera de Paris em 1992, ano em que já estava com a saúde altamente comprometida.

Anna Pavlova faleceu em 1931 de pneumonia e dizem que suas últimas palavras foram "Execute o último compasso bem suave" (sobre A Morte do Cisne, ballet que a consagrou).

Assim como eles, muitos outros bailarinos dedicam/dedicaram suas vidas exclusivamente ao ballet."


segunda-feira, 20 de agosto de 2012

Exercícios para melhorar o equilíbrio

1. Permaneça descalço, suba lentamente para a meia-ponta dos pés, pressionando os dedos dos pés para o chão. Concentre-se na centralização do peso do corpo em algum lugar entre o calcanhar e o dedão do pé. Tente puxar para cima e para fora das articulações, mas manter os joelhos relaxados. Abaixe o calcanhar lentamente e repita.

2. Fique em um pé sobre uma superfície dura, sem travar os joelhos. Divida o peso do corpo em partes iguais entre o calcanhar e a bola do pé. Fique nesta posição por um minuto, em seguida, mude para o outro pé.

3. Fique em um pé com o peso do corpo dividido entre o calcanhar e a bola do pé. Levante o calcanhar e gire lentamente para a esquerda (uma volta de 90 graus) sobre a bola do pé, então pare e abaixe o calcanhar. Repita algumas vezes, em seguida, alternar os pés. Uma vez que você estiver confortável com curvas pequenas, tente voltas inteiras.

4. Com o auxílio da barra, ou barra provisória (você pode usar o encosto de uma cadeira ou do sofá, ou um móvel alto que você possa se equilibrar), faça movimentos de elevé (ficar na meia ponta) e desça, cinco vezes em cada posição (1ª, 2ª, 3ª, 4ª, 5ª). Este exercício ajudará no fortalecimento dos músculos e tendões nas regiões do tornozelo e dedos do pé.

5. Ainda com o auxílio da barra, fique na primeira posição. Com um dos pés, tendu a la second (veja a figura). Alterne o pé em flex (fletir o pé) e pointe (pé esticado como na figura), quatro vezes, retornando à primeira posição. Troque de pé. Este exercício auxilia no fortalecimento e alongamento de tendões e musculatura do pé.
6. Com o pé fletido (flex), na posição do ponto anterior, vá soltando a barra devagar, ficando em posé (pose, parada), tentando equilibrar-se em uma única perna. Faça para ambos os lados.

7. Fique em meia ponta, com os dois pés, em primeira posição, e vá soltando lentamente a barra, erguendo os braços para o alto em quinta posição. Não se esqueça de manter a coluna reta, bumbum contraído, joelhos esticados, barriga para dentro e peito para fora. Deixe a cabeça equilibrada entre os dois ombros, sem baixá-la nem erguê-la.

8. Tendu derriére, tire o pé de trás um pouco do chão, braços em segunda posição, e fique nesta posição alguns segundos, equilibrando-se. Faça para os dois lados.
9. Retiré passé, o pé da base vai ficando na meia ponta (elevé). Aos poucos, tire as mãos da barra, erguendo-as devagar para a quinta posição. Tente ficar o máximo que conseguir nesta posição, equilibrando-se. Faça para os dois lados.


10. Segurando na barra, fique na posição de arabesque, com o pé de base todo no chão. Tente esticar ao máximo, mas sem forçar muito, pois a inteção com este exercício é adquirir o equilíbrio, não alongar. Vá soltando devagar a barra, e tente ficar o máximo de tempo equilibrado nesta posição. Faça para os dois lados.

11. Segurando na barra, fique na posição de arabesque. Aos poucos, vá ficando em elevé com o pé da base, e depois, solte devagar a barra, ficando ao máximo nesta posição. Faça para os dois lados.

12. Por último, segurando a barra, faça attitude devant e derriére, e com o pé de base na meia ponta, devagar vá soltando a barra, e fique na posição o máximo de tempo possível. Faça para os dois lados.

Fonte
: Entre Projetos e Sapatilhas

quinta-feira, 16 de agosto de 2012

Dicas para bailarinas

No Dia da Apresentação

  • Quando você estiver arrumando sua bolsa, faça uma lista para não esquecer nenhum acessório. Comece pelos ítens mais importantes, como a sapatilha e o próprio figurino.
  • Tenha sempre um estojo com linha, tesoura e agulha. veja se suas meias não tem fios puxados e se suas sapatilhas estão com as fitas e elásticos bem presos.
  • Para a maquiagem, é bom ter sempre uma rede de reserva, escova, muitos grampos e gel, caso seu coque despenque. Se você tiver feito a maquiagem em casa, leve sempre de reserva o que você usou para fazê-la.
  • Não esqueça de sorrir. Mostre que você está dançando por prazer, que dançando você se sente feliz. Uma bailarina séria tira toda a graça e suavidade da dança.
  • Tire anéis, pulseiras, colares... a não ser que façam parte do figurino.


Disciplina


Como ser uma bailarina diciplinada:

  • Nunca faça uma aula de ballet de cabelos soltos, ou presos como "rabo-de-cavalo". Não é apropriado, além de atrapalhar no desempenho. O aconselhável é fazer um coque.
  • É necessário usar pelo menos o básico no figurino, como: o colant, a meia calça e a sapatilha. Não se esqueça de nenhum destes para fazer a aula.
  • Tente não se atrasar para chegar a aula. Além de tirar a concetração das outras alunas, pode não ser bom para você também, pois perderá os exercícios de aquecimento que são muito importantes.
  • Não entre no meio da aula sem pedir licença, uma bailarina precisa ser disciplinada, até mesmo porque precisa saber como se portar eventualmente quando for fazer cursos com outros professores.
  • Não converse em aula, e preste muita atenção quando seus colegas tirarem dúvidas, pois poderão ser as suas também.
  • Preste atenção nas correções feitas em seus colegas, você poderá estar cometendo o mesmo erro.
  • Procure não faltar a aula.
  • Tente sempre ir além do que você conseguiu na aula anterior, e mesmo que você não consiga ir além nesta aula vá tentando, mas nunca desista porque um dia você chega lá. É tentando que se consegue...

Como Crescer Como Bailarina


  • Faça aula diariamente, para haver um progresso mais rápido e seus músculos se acostumarem com seu esforço.
  • Saiba ouvir a correção de seu professor. Ele está vendo se você está certa ou errada.
  • Nunca fique sem resposta para suas dúvidas. Pergunte tudo que não souber, assim você aprenderá coisas novas a cada dia.
  • Estabeleça metas e não imponha limites aos seus esforços. No final do ano você verá que valeu a pena.
  • Aceite seus erros, mas não esteja satisfeita com eles. Tente melhorar a cada dia.

Fonte: Escola de Ballet Coppélia

Exame da Royal

Exames


O treinamento de Ballet Clássico com a Royal Academy of Dance abre um leque de oportunidades para os estudantes. Para você que quer um exercício físico que também lhe dá possibilidades artísticas, ou se quer seguir carreira na área de dança, as aulas de ballet com um professor registrado pela Academia são o que você precisa para atingir seu objetivo.

Os Exames oferecem aos estudantes o desafio de mostrar o seu entendimento do trabalho desenvolvido. Eles podem ser feitos por todos os estudantes que estejam tomando aulas dos Syllabus de Graded ou Vocational e o conhecimento é avaliado com relação a cada nível em questão.


O candidatos aos Exames serão aprovados se o nível requerido for alcançado. O examinador dará então uma nota , baseada na apresentação daquele dia, de acordo com os critérios estabelecidos.

Os candidatos recebem um formulário de notas, que pode ser facilmente entendido através dos Critérios de Notas e um Certificado,diretamente de Londres.


Os estudantes devem atingir os níveis estabelecidos para cada grau desses métodos e assim passar para o próximo.

Eles oferecem:
  •     Objetivos claramente definidos e diferenciados para cada nível.
  •     Um plano global que indica os estágio evolutivos.
  •     O escalonamento de notas dadas pelos diversos graus de habilidade.

Todos os candidatos aos Exames serão aprovados se o nível requerido for alcançado. O examinador dará então uma das 5 notas , baseadas na apresentação daquele dia, de acordo com os critérios estabelecidos.

O Examinador escreve um relatório para o estudante, professores e pais, indicando quais são os aspectos mais positivos dessa apresentação e quais são os pontos fracos que necessitam atenção. Os candidatos aprovados receberão um Certificado, com seu nome e grau.

Aulas de apresentação


A Royal Academy of Dance acredita que a participação no ballet deve ser de todas as crianças e quer incorporar ao seu sistema todos aquelas que, pelas mais variadas razões, num determinado momento, não conseguem alcançar os níveis requeridos nos exames.

Para esses estudantes, as Aulas de Apresentação oferecem programas de trabalho que melhor se adaptam às suas habilidades ou tempo de aprendizagem levando a um senso de conquista que pode ser equiparado aos dos exames.

As Aulas de Apresentação são apropriados para:
  • Estudantes em escolas em que o ballet é parte do curriculum e o tempo de estudo é menor do que numa escola de ballet.
  • Estudantes que não tenham podido comparecer a muitas aulas, por qualquer motivo.
  • Estudantes que começaram o seu estudo mais tarde.
  • Em escolas, onde, por qualquer razão, os professores não puderam cumprir o cronograma de aulas.
  • Estudantes que não tenham menor habilidade física, cognitiva, e emotiva.
Não são outorgadas notas, mas os estudantes recebem um Certificado de Participação.

Preparação para os Exames


É importante que os estudantes estejam bem preparados para os Exames e Aulas de Apresentação e que tenham tempo suficiente para adquirirem as habilidades técnicas e as qualidades artísticas requeridas em cada grau. Os fatores tempo e preparação podem ser avaliados por um professor registrado da Academia, que é treinado para saber quando a criança está apta a ser inscrita para os exames.

Aprender ballet requer paciência e estudo contínuo. Enquanto que os estudantes maiores já se sentem naturalmente motivados com o treinamento em dança clássica, para os estudantes mais jovens se faz necessária uma ajuda para que possam adaptar-se aos longos períodos em que é necessária a atenção.

Recomenda-se que um estudante que queira candidatar-se aos Exames de Graded e Aulas de Apresentação tenha pelo menos uma aula por semana, e pelo menos uma semana de aulas particulares, quando a data de exame esteja próxima, particularmente quando o estudante está atingindo os graus mais altos. Estudantes preparando-se para os Exames de Vocational devem fazer pelo menos 3 aulas de Syllabus por semana, sendo que esse número deverá aumentar quando o estudante chegar aos níveis mais adiantados. O tempo de desenvolvimento individual pode variar e qualquer tempo extra pode ser muito benéfico a longo prazo.

Sistema de Notas


Feminino:
Técnica clássica

Grade 1 - Pt. I , Pt. II
Grade 2 - Pt. I , Pt. II
Grade 3 - Pt. I , Pt. II
Grade 4 - Pt. I , Pt. II
Grade 5 - Pt. I , Pt. II
Grade 6 - Pt. I , Pt. II
Grade 7 - Pt. I , Pt. II
Grade 8 - Pt. I , Pt. II

Intermediate Feminino Pt. I , Pt. II

Intermediate Foundation Feminino Pt. I , Pt. II

Advanced Feminino 1 Pt. I , Pt. II
Advanced Feminino 2 Pt. I , Pt. II

Advanced Foundation Feminino Pt. I , Pt. II

Masculino:
Advanced Masculino I
Advanced Masculino II
Advanced Foundation Masculino
Intermediate Masculino
Intermediate Foundation Masculino

sábado, 21 de julho de 2012

O Vestris do Norte



Bom, como eu citei no post anterior hoje eu tive o grande prazer de conhecer a história de Nijinsky.


Após uma pesquisa no google, encontrei um pouco de sua história...


                   Gênio da dança com a alma de um fauno

Um deus de sapatilhas nasceu aqui.
                                      Por onde passou, deixou rastros de perfeição artística e de sonhos desfeitos.



Vaslav Nijinsky
"Polêmico, atormentado, genial e esquizofrênico, o bailarino russo Vaslav Nijinsky traz em sua biografia os ingredientes exatos para compor à perfeição o perfil de um personagem romântico. Dono de uma personalidade ambígua, para dizer o mínimo, o mesmo Nijinsky que escandalizava as platéias com a ousadia de sua arte mostrava-se, fora dos palcos, uma criatura frágil e dependente. Um deus de sapatilhas que  jamais soube conviver com as limitações impostas pela convivência social.


 Nascido em 1888, Nijinsky iniciou nas aulas de ballet aos 9 anos, levado por sua mãe. O primeiro papel de destaque veio aos 18 anos, em Le Pavillon d’Armide. Em 1908 é apresentado ao empresário e diretor de balé Sergei Diaghilev (1872-1929), através de seu então namorado, o príncipe Pavel Lvov.


 Carismático e de forte personalidade, Diaghilev dirigia com mão de ferro o Ballets Russes, criado por ele em 1909 com o objetivo de sacudir o marasmo que acreditava haver feito o ballet estacionar no tempo. O empresário, que sonhava com a europeização da dança russa, utilizava àquela época o talento do coreógrafo Michel Fokine (1888-1942), dos cenógrafos Leon Bakst /1866-1924) e Alexandre Benois (1870-1960), e dispunha de estrelas de primeira grandeza, como a legendária Anna Pavlova (1881-1931).


A apresentação a Diaghilev – um divisor de águas na vida de Nijinsky – causou forte impressão no rapaz, que escreveu mais tarde em seu diário: “Não gostei dele por sua voz segura. Evitei fazer amor com ele mas fingi, porque sabia que, de outro modo, minha mãe e eu morreríamos de fome”. Há quem duvide da afirmativa, uma vez que o testemunho de Nijinsky foi cunhado quando o bailarino já apresentava distúrbios mentais. Há de se observar, também, que o relacionamento com Diaghilev havia sido marcado por paixão e desespero. O rompimento com o empresário é freqüentemente apontado como a causa que desencadeou o processo de desequilíbrio que arrastou ao limbo o maior mito da dança de todos os tempos.


A personalidade de Diaghilev não permitia que se lidasse com muita facilidade com o empresário. Incensado por seus contemporâneos – sua companhia excursionava por todo o mundo e recebia colaborações de mestres como Claude Debussy, Maurice Ravel e Albert Roussel – , corre a lenda de que Diaghilev tinha verdadeiro horror a doenças e tomava cuidados extremos para não se contaminar: vivia a limpar as mãos, não permitia que seus lábios fossem beijados e usava um lenço imaculadamente limpo para proteger a face. Também é notório o pavor que sentia de viajar em navios. Por haver uma cigana previsto que morreria afogado (o que efetivamente acabou ocorrendo), Diaghilev evitava a qualquer custo aventurar-se ao mar.


Quanto a Nijinsky, apesar de fora dos palcos mostrar uma personalidade frágil, que buscava o apoio de Diaghilev (e mais tarde da mulher, Romola) para decisões mínimas, revestia-se de força descomunal ao encarar a platéia. Aliado a uma técnica perfeita, que mantinha hipnotizados os espectadores de sua dança, o carisma do bailarino deu ensejo a transformações significativas no panorama do ballet de seu tempo."


“Dançar é estabelecer um contato visceral com forças misteriosas da natureza; é chegar às máximas possibilidades de articulação do corpo humano em harmonia com os sons em volta. Dança é, muita além disso: acompanhar a música interior que torna divino o meramente humano, é ser ao mesmo tempo deus e demônio, pela sublimidade do movimento” 

                                                                                                                          (Adler Stern)

Nijinsky amava um sonho


"Seu maior triunfo foi elevar a figura masculina à mesma altura que o elemento feminino nos balés. Em alguns casos, tanto engenho e arte foram premiados ao manter cativos os olhos do público. O primeiro papel de destaque de Nijinsky depois que conheceu Diaghilev foi como Albrecht, em Giselle, que estreou em Paris em 1911. Com o mesmo papel o bailarino protagonizou seu primeiro escândalo: instado por Diaghilev, Nijinsky dançou sem o calção que cobria seu leotard (a malha justa usada pelos bailarinos). A performance ocorreu em São Petersburgo, em apresentação a que estava presente a família imperial.


O coquetel teve efeito imediato e custou a Nijinsky, logo no dia seguinte, sua demissão do corpo de ballet do teatro Mariinsky. O mais renomado biógrafo do bailarino, Richard Buckle, acredita que o episódio pode ter sido um ardil de Diaghilev para que Nijinsky perdesse o emprego e se tornasse exclusivo dos Ballets Russes.


No período em que trabalhou exclusivamente para Diaghilev, Nijinsky protagonizou alguns dos mais importantes ballets do inicio deste século. Quase todas as peças eram de autoria de Michel Fokine, então no auge da carreira: Le Espectre de la Rose, Petrushka, Daphne e Chloé, Narciso e Le Diesu Bleu (esse com libreto de Jean Cocteau). Foi um período de glória, com uma sucessão de excursões e êxito. Encorajado por Diaghilev, por quem mostrava verdadeira adoração, Nijinsky decide que as coreografias de Fokine já não suprem sua alma sedenta de novas experimentações e passa a criar seus próprios ballets. Indignado, Fokine abandona os Ballets Russes.


As três coreografias assinadas por Nijinsky – “L’Après Midi d’un Faune”, “Jeux” e “A Sagração da Primavera” – revolucionaram os círculos ligados à dança. L’Après Midi d’un Faune causou um escândalo sem precedentes ao ser apresentada em Paris a 13 de maio de 1912. O público que naquela noite foi ao Théâtre du Châtlet para assistir à estréia de Nijinsky como coreógrafo teve motivos de sobra para surpreender-se. Primeiro porque L’Après Midi mostrava uma sensualidade quase afrontosa para os padrões da época e depois porque rompia violentamente com as características fundamentais do ballet tradicional: em vez de tentar aprisionar os espectadores também com o olhar, nenhum dos bailarinos olhava de frente, todos mantinham-se de perfil diante da platéia, tratada com indiferença pelo coreógrafo. Mesmo a mudança de direção não fazia com que os espectadores pudesse contemplar os rostos: os bailarinos, com rápidos movimentos, trocavam o perfil esquerdo pelo direito. A sexualidade transbordava do fauno protagonizado por Nijinsky que, entretanto, em nenhum momento dava mostras de gestos sensuais, nem mesmo chegava a tocar as ninfas/bailarinas que lhe desatavam as amarras da imaginação. Mas por uma técnica quase sublime, o desejo do fauno é sensível. O fogo que lhe percorre as veias não está atestado senão por um sorriso de lascívia quase imperceptível, mas há paixão, há sexo e uma ousadia suprema. Volúpia de sonho e delírio. Audácia. Nijinsky escancara o rosto debaixo da máscara, revela a sensualidade escondida, abre as janelas. O final do ballet, com o bailarino simulando masturbar-se no palco, entrou para a história como o maior escândalo da dança neste século.


 As outras duas coreografias – Jeux, sobre uma partida de tênis, e A Sagração da Primavera - não tiveram o reconhecimento que o bailarino esperava. Nesta última, sobre a música do genial Igor Stravinsky, Nijinsky elaborou uma coreografia que é sua mais arrojada criação. A história do sacrifício de uma virgem aos deuses russos não é aceita com facilidade pelas platéias acostumadas a aplaudir o estritamente conhecido.

Em setembro de 1913, os Ballets Russes excursionam pelo Rio de Janeiro e Buenos Aires. Por ser uma viagem marítima, Diaghilev não veio. Atormentado pelos ciúmes, Nijinsky casou-se precipitadamente com uma das bailarinas da companhia, Romola de Pulszky, mulher determinada que passa então a controlar a vida do marido.


Ao saber da notícia, Diaghilev demite Nijinsky, dando ensejo aos problemas mentais do bailarino. A tentativa de Nijinsky de montar seu próprio grupo sucumbiu 16 dias após o início. Durante a I Guerra Mundial esteve internado em um campo de concentração na Hungria, de onde só saiu em 1916 por intercessão de Diaghilev. Dançou pela última vez em 1919, aos 29 anos. A aceleração de seu desequilíbrio mental fê-lo sofrer por aproximadamente dois anos antes que a morte viesse estender-lhe braços amigos."

* Para os críticos, Nijinski era dotado de uma técnica extraordinária. Por isso, foi chamado por muitos como o deus da dança, a oitava maravilha do mundo e o Vestris do Norte (referência ao bailarino francês Auguste Vestris, junto ao qual seria sepultado, no cemitério de Montmartre, em Paris). Nijinski revolucionou o balé no início do século XX, conciliando sua técnica com um poder de sedução da plateia, os seus saltos pareciam desafiar a lei da gravidade.

Fonte: Arte Livre e Wikipédia

Amor Eterno


Hoje eu tive o grande prazer de conhecer a história de Nijinsky (o meu conhecimento em relação a esse gênio do universo da dança era limitado, porém, é com grande satisfação que digo o quanto eu aprendi hoje sobre ele e seu legado).

Bom, mais cedo eu estava pesquisando no youtube alguns bailarinos e descobrindo talentos que antes eram desconhecidos (por mim, é claro).

Em meio a tantos vídeos, assisti a uma entrevista realizada com o bailarino Marcelo Gomes (1º bailarino do American Ballet Theatre) no programa Programa do Jô (Rede Globo). Papo vai, papo vem, e o apresentador citou Nijinsky e um certo acontecimento com o mesmo.

* Confira abaixo:

"Você sabe que tem uma foto maravilhosa do Nijinsky que foi tirada por um acaso pelo Jean Manzon que trabalhava no Brasil, num cruzeiro. Foram fazer uma matéria exatamente no hospício onde estava internado Nijinsky já há vinte anos e totalmente catatônico, sentado sem dizer uma única palavra. Quando ele viu o Jean Manzon com a câmera ele falou assim: "Você fotografa?" e o Jean Manzon falou: "Fotografo" e em seguida o Nijinsky falou: "Eu já dancei" e deu um pulo e o Jean Manzon pegou essa fotografia. Ele um senhor, gordo, careca e no ar."

Assisti a entrevista até o fim, mas com uma vontade imensa de que fosse mostrava a tal foto. Estava morrendo de curiosidade, afinal, tratava-se de Vaslaw Nijinsky, um revolucionário. Fora que, o que o apresentador Jô Soares comentou prendeu totalmente a minha atenção, o que eu ouvi realmente me emocionou muito e a partir disso a minha admiração e respeito por esse renomado gênio aumentou.

Ficou claro que após tantos anos afastado do palco, sem ter qualquer tipo de contato, qualquer tipo de convivência com algo pelo qual o mesmo se dedicou por tantos anos, e pelo qual fez tantos sacrifícios, permanecia em sua memória. Tal bailarino escontrávasse num estado mental de risco, pois desenvolveu  esquizofrenia. Mas ainda assim, a dança ainda correia em suas veias, e tudo o que foi realizado e aprendido pelo mesmo estava guardado em sua memória. Isso "minha gente" é amor eterno.

* Para os que também ficaram curiosos em ver "a tal" foto, sim, eu dei uma breve pesquisada e a encontrei:


Vaslaw Nijinsky
Fotógrafo: Jean Manzon
* Fonte da história:


quinta-feira, 12 de julho de 2012

Ballet é arte, e arte não tem sexo


Quem tem conhecimento sobre o ballet, sabe que o papel masculino dentro dessa vertente da dança, é muito importante por requerer força e virilidade.

É um grande equívoco por parte de alguns dizer que ballet "é coisa de menina" ou que homens que dançam são todos homossexuais. Dito isso, é automático considerarmos essa pessoa ignorante e desinformada.

Não nego que existam sim homossexuais no universo da dança, é algo muito comum, mas em que profissão hoje em dia não existe essa diversidade sexual?! E ainda que seja algo muito comum, o número de bailarinos héteros também é grande e temos muitos exemplos mundo afora de bailarinos profissionais reconhecidíssimos e bem-sucedidos em suas carreiras que são casados com mulheres, em sua maioaria também bailarinas.

Alguns exemplos:

  • Thiago Soares e Marianela Nuñez (The Royal Ballet)
  • Francisco Timbó e Melissa Timbó (Teatro Municipal do RJ)
  • Johan Kobborg e Alina Cojocaru (The Royal Ballet)
  • Ivan Vasiliev e Natalia Osipova (Mikhailovsky Theatre)

Cada um tem a sua opção sexual e de maneira alguma a sua vida pessoal interfere na profissional, ainda que um bailarino seja homossexual, se ele leva o seu trabalho a sério, a sua opção sexual passa despercebida no palco pois ali ele interpreta a personagem que lhe foi confiada.

Acompanhe abaixo algumas matérias que encontrei na rede e que faço questão de compartilhar com os leitores do blog.


Héteros falam do preconceito em dançar balé

Além de encarar uma maratona de treinos todos os dias, os garotos que decidem fazer ballet ainda precisam lidar com outro problema: o preconceito.

Visto como uma atividade específica para mulheres, o ballet fascina meninos adolescentes que sonham um dia viver para dançar. Hélio conheceu o ballet aos 12 anos. Pela dedicação e responsabilidade, acabou ganhando uma bolsa para estudar em uma escola no bairro da Tijuca, no Rio de Janeiro. Hoje, após cinco anos, ele relembra sua trajetória: “Muitos amigos meus pararam de falar comigo. Diziam que eu era gay, que não podiam andar comigo porque eu fazia ballet”, afirma Hélio, que não se arrepende de nada, muito pelo contrário, até se orgulha por ter passado e estar passando por tudo isso.

O professor de dança Juan Pablo também tem história para contar. Juliana, que também é bailarina, tinha dúvidas sobre a sexualidade do namorado e a primeira pergunta feita a ele foi se Juan era “bem resolvido”. Juan não perdeu o rebolado e categoricamente disse que era “bem resolvido até demais”. “O preconceito existe sim, mas o bailarino hétero pega muito mais menina do que os caras por aí”, acredita Juliana.

Apesar do otimismo dos depoimentos acima, Nelma Darzi, professora e dona de uma academia de dança no Rio, mostra que o preconceito continua enraizado. “Eu criei rapazes que entraram aqui na faixa dos oito anos de idade. E, realmente, eles tinham gestos muito femininos. Mas, aqui dentro da escola, por conta do carinho das pessoas, e por cobrarem essa posição de que você é um menino, você é um rapaz e seu papel tem que ser de homem e não de moça, eles foram modificando esse gestual efeminado, adquirindo uma postura masculina”.

O jovem Matheus também confirma o estigma carregado pelos bailarinos. Praticante de futebol, ele conta que quando decidiu trocar as chuteiras pelas sapatilhas, família e amigos se surpreenderam. “Minha mãe nunca se intrometeu, mas uma vez ela perguntou se era isso mesmo que eu queria fazer e se não estava virando viado”, revela o jovem.

Uma coisa é certa. Independente da sexualidade de cada um, o balé é lindo.

Fonte: Site e revista - ACAPA


A história do Marcelo

Marcelo Gomes tinha cinco anos quando começou a dar as primeiras piruetas. De tanto observar a irmã mais velha, que fazia dança, ele conseguia imitar toda a coreografia e aos sete anos seus pais o matricularam numa escola de balé clássico, no Rio de Janeiro.

Hoje, aos 21 anos, ele é um dos mais promissores bailarinos do mundo e integra o time de uma das principais companhias de dança clássica dos Estados Unidos, a American Ballet Theatre. O papel do príncipe Siegfried, no espetáculo "O Lago dos Cisnes", está lhe rendendo inúmeros elogios, além de uma ótimo salário:1.300 dólares, equivalente a 3.000 reais, por semana.

Diferentemente dos pais de Marcelo, nem todos aceitam a idéia do filho ser bailarino, pois acreditam que balé é coisa de homossexuais. Ceres Alves Araújo, professora e psicóloga da PUC, em São Paulo, afirma que "hoje, cada vez mais mulheres se engajam em profissões que antes eram consideradas masculinas. Da mesma forma, homens podem realizar atividades antes ditas femininas, sem que isso remeta à homossexualidade".

Mesmo assim, o preconceito ainda existe. Um exemplo disso é a diferença entre o número de meninas que estudam na Escola de Bailado do Teatro Municipal: 530 garotas contra apenas oito meninos. Esmeralda Penha Gazal, bailarina e diretora da escola, diz que, ao contrário das meninas, os garotos não são trazidos pelos pais. Geralmente são estimulados pela notícia de alguma grande companhia de balé internacional que esteja vindo ao Brasil, por um filme em que haja bailarinos ou por espetáculos de dança com artistas famosos.



A paixão pela dança

Mônica Mion, bailarina e diretora artística do Balé da Cidade de São Paulo, revela que os meninos normalmente se iniciam na dança após os 15 anos, quando conquistam certa independência emocional para assumir a escolha perante a família e a sociedade. "A proximidade entre os garotos e o balé acontece de forma indireta, acompanhando a irmã ou a namorada que estudam dança, por exemplo", completa Mônica.

Foi dessa forma que Gleidson Vigne interessou-se pelo balé. Quando era pequeno foi campeão de judô e chegou a jogar futebol no Flamengo, do Rio de Janeiro, por três anos. Teve sua primeira aula de dança aos 17 anos, no curso técnico de educação física. Como namorava uma menina que fazia parte de um grupo de balé, interessou-se ainda mais pela atividade. "Quando meu pai soube que eu estava dançando ficou muito bravo. Foi ao colégio para conversar com o diretor, brigou com o professor e fez escândalo" conta Gleidson.

Porém ele não desistiu: largou o futebol, ingressou numa escola de dança em fevereiro de 94 e em junho do mesmo ano já era profissional. Seu pai cortou a mesada na esperança de que ele largasse as sapatilhas e voltasse a jogar. De nada adiantou, Gleidson começou a ganhar dinheiro suficiente para se manter. "Meu pai, meus parentes e amigos só aceitaram a minha escolha quando comecei a aparecer na mídia. Aí eles perceberam que eu tinha me tornado um bailarino, um artista, não um homossexual", lembra Gleidson.

"Já fiquei muito chateado, mas o importante é que o preconceito foi vencido. Hoje meu pai se orgulha do meu sucesso e meus amigos me admiram", confessa. Muitas vezes Gleidson se divertia com a reação dos antigos colegas da época do futebol: "quando voltava ao Rio e dizia ao pessoal do Flamengo que estava fazendo balé, eles se despediam rapidamente, receosos de serem chamados de gays por estarem conversando comigo".

Hoje, aos 24 anos, Gleidson é bailarino contemporâneo do Balé da Cidade de São Paulo, um dos grupos de dança do Teatro Municipal e é casado há três anos com Andréa Thomioka, também bailarina.



Sensibilidade não é sinal de homossexualidade

Do ponto de vista do desenvolvimento cognitivo, o cérebro masculino é diferente do feminino. Isso determina aptidões e interesses diversos entre meninos e meninas" explica a psicóloga Ceres de Araújo.

Quando um garoto se interessa por balé, isso não quer dizer que ele tenha transtornos na identificação sexual. Significa que ele tem uma sensibilidade muito desenvolvida e uma grande capacidade para apreciação estética, funções geralmente mais apuradas nas meninas. "Se um menino de fato se interessar por esse tipo de aula, deve ter o direito de experimentar para ver se gosta", sugere a psicóloga.

Robson Lourenço, 31 anos, nunca pensou que um dia seria bailarino. Fazia aulas de sapateado e percebeu que os alunos que também faziam balé giravam e sapateavam muito melhor. Assim interessou-se pela dança clássica e acabou abandonando o emprego de bancário e a faculdade de jornalismo para buscar a verdadeira realização profissional.

Depois de três anos, entrou para o Balé da Cidade de São Paulo. Nessa época, sua mãe ainda não sabia exatamente o que ele fazia. "Quase a matei do coração quando levei a primeira malha - a roupa de bailarino - para lavar em casa. Ela tomou um tremendo susto ao ver aquilo e pensou que eu tivesse virado homossexual".

Robson explica que a preocupação de mãe acabou quando ela assistiu ao seu primeiro espetáculo. Só passou a acreditar que ser bailarino é uma profissão, no momento em que ele conseguiu comprar um apartamento e um carro com o salário da dança.

A importância do apoio da família

Ceres de Araújo alerta que reprimir um garoto que deseja dançar significa privá-lo da felicidade de perseguir seu sonho, levando-o a uma profunda frustração. "Ele tem o direito de buscar a satisfação e de sentir prazer por estar fazendo o que quer". Mas avisa: os pais devem ter consciência do preconceito que o menino irá enfrentar.

Alex Soares, 19 anos, recebeu o apoio dos pais desde o início da carreira. Hoje, como Gleidson, é membro do Balé da Cidade de São Paulo. Seu contato com a dança começou desde bem cedo, pois a mãe trabalhava numa escola de dança. Aos seis anos começou a aprender sapateado e jazz e aos dez interessou-se pelo balé clássico.

No caso de Alex, a patrulha veio por parte dos amigos. "Evitava contar que era bailarino para não ser injustamente taxado de homossexual. Quando eles descobriram fizeram faixas para me gozar, mas a diretora do colégio acabou com a farra". Passada a surpresa, tudo voltou ao normal. Alex continuou a jogar futebol com os amigos e se reintegrou ao grupo. "Mas sem o apoio da família não teria suportado a pressão social", ele garante.

Fonte: Studio Developpé


Desfrute um pouco do universo dos bailarinos:


© Charlotte MacMillan Ivan Vasiliev and Natalia Osipova

Photo: Zarina Holmes / Sojournposse ©
Thiago Soares e Marianela Nuñez

The Royal Ballet’s Alina Cojocaru and Johan Kobborg in Mayerling.

Copyright 2008 by Marc Haegeman
Ivan Vasiliev

Luigi Campa

Yonah Acosta
 
Mikhail Baryshnikov


 

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Dicas úteis para bailarinos; Entrevistas; Divulgação de audições/eventos - principalmente os realizados em minha cidade (Salvador-BA)/espetáculos/bailarinos/workshops/cursos e etc. Tudo isso você encontra no "Expressão da minha alma", que reúne em um único espaço "de tudo um pouco" sobre o mundo da dança.

Criado em fevereiro de 2012 o blog "Expressão da minha alma" é uma página que criei com o objetivo de compartilhar diversos assuntos relacionados ao mundo da dança, em sua maioria, questionamentos levantados por mim mesma ao decorrer da minha carreira de bailarina. Esse espaço é destinado principalmente a outros bailarinos, que assim como eu gostam de se manter sempre atualizados. Nós bailarinos vivemos em constante aprendizado e foi justamente com essa linha de pensamento que tomei a iniciativa de criar esse blog, afinal, ao publicar algo também estarei aprendendo cada vez mais sobre essa arte, pois antes faço uma breve pesquisa (quando necessário) para postar artigos de conteúdo, com isso, também estarei aprendendo cada vez mais sobre essa arte.

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